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Afinal, o que é governança corporativa?

A globalização e fluxo constante de informações impulsionam mobilidade e interconexão entre empresas. Não importa se são pequenas, médias ou grandes, cada vez mais há aproximação entre as instituições.

A facilidade de negócios cria um ambiente empresarial altamente competitivo e com forte participação dos diversos setores e diversos stakeholders, sejam eles: acionistas, executivos, funcionários, fornecedores, clientes e a própria sociedade.

Em um mundo empresarial tão competitivo, é praticamente lei a adoção de boas práticas de governança corporativa. Só assim, a empresa conseguirá seguir em frente e alcançar sucesso.

A governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. A governança empresarial surge para resolver um conflito teórico clássico, entre “principais e agentes”, que afeta diretamente a administração das empresa. Os ‘principais” atores – proprietários ou acionistas – delegam atividades e poderes aos ‘agentes’ – administradores, executivos e funcionários – e devido a divergência de pontos de vistas, é aí que pode começar um conflito sobre o que é melhor para a empresa.

Por um lado, os “principais” esperam que as decisões sejam tomadas visando aumentar o lucro da empresa, em prol da maioria e que isso seja revertido em valorização das ações da empresa. Por outro lado, o executivo, muitas vezes, pode tentar fazer aquilo que é melhor para ele, sem que seja levado em consideração o que é melhor para  a comunidade, stakeholders e outras partes interessadas. Se não há um código, uma forma de monitorar, mensurar e incentivar esse trabalho, a tendência é que o agente empregue o mínimo de esforço possível para aumentar seu ganho.

Monitorar e confiar

Vocês lembram do caso da Enron Corporation, uma companhia de energia norte-americana? Segundo dados, a empresa chegou a apresentar faturamento de mais de US$ 100 bilhões anuais. Mas era tudo resultado de fraudes contábeis e fiscais – a empresa manipulava seus balanços financeiros, escondendo dívidas astronômicas e apresentando lucros artificiais, ocasionando sua falência.

É possível que um executivo (ou um grupo deles) esteja pouco preocupado com questões éticas e legais, e passe a utilizar formas menos lícitas para atingir objetivos próprios. Para evitar esse caos, basta aplicar  as boas práticas de governança.

O grande problema da Eron foi que a auditoria não foi completamente independente. É a auditoria que atesta e dá a segurança para os demais stakeholders. Sobretudo para os pequenos investidores.

Governança corporativa no Brasil

Nos EUA, com os escândalos financeiros envolvendo grandes empresas, o país passou a adotar uma série de normas e regulações, como a Lei Sarbanes-Oxley, que busca criar mecanismos de auditoria e segurança nas empresas, de modo a garantir a transparência na gestão e evitar fraudes financeiras. E no Brasil, o que tem sido feito?

A presença de multinacionais foi a principal porta de entrada da Governança corporativa no Brasil. Tal como um guia boas práticas, a governança empresarial é fundamental em um ambiente conectado e globalizado, à medida que o mercado de capitais vai amadurecendo, os investidores precisam ter mais segurança do que está acontecendo.

A governança corporativa vem sendo aplicada no máximo há 10 anos no mercado brasileiro. Isso ainda é recente e novidade, precisamos de um grau mais avançado e mais rigoroso dessas práticas.

Boas práticas em empresas de capital fechado

O mercado de capitais, principalmente o aberto (S/A), busca recursos e têm na governança empresarial um mecanismo claro para mostrar que seu risco é menor, e assim explicam as boas avaliações dos seus ativos.

Mesmo empresas de capital fechado (pequena, média ou grande), que aplicam boas práticas de governança, criam elementos redutores de risco que começam a gerar perspectivas de ganhos variados dos diversos stakeholders.

Para os consumidores, uma empresa que consegue estabelecer uma relação mais séria, clara e honesta, espera ver isso recuperado por meio de maior fidelização e mais duradouras. Sob a ótica de fornecedores, você tem a valorização e perpetuação de relações comerciais mais claras. Sob a ótica de financiadores (como bancos) você começa a ter perspectivas cada vez mais positivas. Cada vez mais há uma valorização das boas práticas de governança corporativa em empresas de capital fechado, independente de seu tamanho.

Em um ambiente de mercado altamente competitivo, como o que vivemos, a governança corporativa é um elemento de diferenciação, e brevemente será um elemento de sobrevivência e manutenção.

Até a próxima!

Foto por Artem Bali coleção Pexels

Rafael Lobo | Consultor

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